• Notas da história

    Fragmentos da jornada

    Neste dia, saímos para cortar o cabelo; eu tinha em torno dos 8 ou 9 anos, anos 1970. Sempre íamos juntos. Ele cortava, depois eu, com ele logo atrás orientando o barbeiro. Morávamos naquela casa lá no fundo, a varanda que aparece na foto. A bicicleta com certeza ganhou espaço na nossa história. Ele sempre teve bicicleta, esportivamente quando solteiro e depois para se locomover quando era possível. Eu estava sempre junto, naquela posição. O chamavam de Manecão. Eu, o Manequinho. Fizemos história juntos. Também trabalhamos juntos em vários projetos que ele implantou como mestre de obras. Fizemos história, conversando, rindo muito da vida e das situações, que são inúmeras…

  • Notas da história

    Silenciar e estar presente

    Vivemos em um tempo em que o silêncio é necessário. O silêncio ativo deve dominar seu caminhar, trazer quietude e luz para cada ação. Redes sociais, Whatsapp, e-mail, ligações, todos buscam uma palavra a mais para expressar. É bem fácil conhecer algo de uma pessoa, penso; basta olhar o feed de suas redes sociais, o que ela pensa, o que ela é, o que ela gosta, a feição que ela escolheu para ser pública. Por isso penso no silêncio a cada postagem. Estar no mundo, tem sua própria dinâmica. Deve ser uma arte. Mas de onde você quer ser? Quais os rastros que você quer deixar? (MFN) (foto: unsplash Evgeni…

  • Notas da história

    “Eu sou um Espírito”

    A placa “Eu sou um Espírito” animou durante vários anos as turmas que monitorei do curso preparatório sobre a Doutrina dos Espíritos. Por Manoel Fernandes Neto No primeiro dia de aula de cada turma, os alunos seguravam a placa individualmente, repetiam a frase e diziam o nome e o porque queriam aprender sobre a doutrina codificada por Kardec. O momento era de integração mas também de descontração. Saber de antemão que você é um espírito, que está em um corpo, recipiente de experimentações, sempre me pareceu o que de mais importante podemos saber para o “início dos trabalhos”, como falamos hoje em algumas situações. Os espíritos são os seres inteligentes…

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    Um depoimento: meu encontro com O Livro dos Espíritos

    Texto publicado na Revista Harmonia, no especial sobre “O Livro dos Espíritos” O livro sempre esteve na estante, por muitos anos. O vi várias vezes nas mãos da Cris Cirne, ora em leituras, ora nos momentos de oração. Recebia meu respeito de sempre por credos, crenças, costumes e religiões. Em outras ocasiões, o encontrava sobre mesas, penteadeiras, suportes de cabeceira, em vários locais da casa, como se fosse muitos, mas era um. A capa já antiga: um céu interconectado por folhagens: “Allan Kardec” escrito na parte superior; “O livro dos Espíritos” centralizado verticalmente. Aqui começa uma história, uma em milhões nesses 164 anos: a minha. Criado no catolicismo, ainda menino,…

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    A história de uma imagem da exposição de Penna Prearo.

    Estou em uma exposição do fotógrafo Penna Prearo. Sim, exposto em uma imagem. Na parede, imortalizado na minha juventude. A exposição traz uma ‘retrô-perspectiva’ de quase 50 anos de trabalho do profissional, sempre inquieto e inventivo. Minha relação com Penna veio de uma época em que eu trabalhava no departamento de comunicação de uma grande empresa, em São Paulo. Uma época rica em amizades com diversos profissionais: jornalistas, fotógrafos, diagramadores, revisores. Profissionais de mercado, de grandes jornais e revistas, que faziam também publicações institucionais de empresas com a mesma qualidade. E nós nos cruzamos. Do relacionamento profissional veio a convivência fraterna, visitas trocadas nas nossas casas; Cris, eu e Manuela…

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    Novo livro do Rovai

    Chegou minha leitura de verão, o novo livro de Renato Rovai, grande amigo de quase duas décadas na seara do jornalismo digital. Primeira impressão: um trabalho de fôlego, que merece uma leitura com um lápis na mão. Memória ainda viva do que vivemos nesse tempo de luta, muita luta; mas também muito aprendizado. Valeu, Rovai!

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    “Voltamos aos tempos primitivos”

    MANOEL FERNANDES NETO ESPECIAL PARA A FOLHA Publicado originalmente na Folha de São Paulo Sem chuva ininterrupta desde terça, a tensão passou. A quantidade de água no sábado e domingo foi algo que não tive referência mesmo após eu ter morado durante mais de 20 anos na cidade de São Paulo, de ruas alagadas e congestionamento nas marginais a cada chuvinha. Aqui, diferentemente, a enchente não ficou encaixotada eletronicamente pelas notícias da TV, algo distante. Ela estava na porta de todos. Na rua transformada em rio caudaloso, nas crateras abertas nas avenidas, na terra que rolou de montes e morros. Blumenau é um vale. Difícil a rua que não tenha…