• Notas da história

    Silenciar e estar presente

    Vivemos em um tempo em que o silêncio é necessário. O silêncio ativo deve dominar seu caminhar, trazer quietude e luz para cada ação. Redes sociais, Whatsapp, e-mail, ligações, todos buscam uma palavra a mais para expressar. É bem fácil conhecer algo de uma pessoa, penso; basta olhar o feed de suas redes sociais, o que ela pensa, o que ela é, o que ela gosta, a feição que ela escolheu para ser pública. Por isso penso no silêncio a cada postagem. Estar no mundo, tem sua própria dinâmica. Deve ser uma arte. Mas de onde você quer ser? Quais os rastros que você quer deixar? (MFN) (foto: unsplash Evgeni…

  • Notas da história

    “Eu sou um Espírito”

    A placa “Eu sou um Espírito” animou durante vários anos as turmas que monitorei do curso preparatório sobre a Doutrina dos Espíritos. Por Manoel Fernandes Neto No primeiro dia de aula de cada turma, os alunos seguravam a placa individualmente, repetiam a frase e diziam o nome e o porque queriam aprender sobre a doutrina codificada por Kardec. O momento era de integração mas também de descontração. Saber de antemão que você é um espírito, que está em um corpo, recipiente de experimentações, sempre me pareceu o que de mais importante podemos saber para o “início dos trabalhos”, como falamos hoje em algumas situações. Os espíritos são os seres inteligentes…

  • Notas da história

    Um depoimento: meu encontro com O Livro dos Espíritos

    Texto publicado na Revista Harmonia, no especial sobre “O Livro dos Espíritos” O livro sempre esteve na estante, por muitos anos. O vi várias vezes nas mãos da Cris Cirne, ora em leituras, ora nos momentos de oração. Recebia meu respeito de sempre por credos, crenças, costumes e religiões. Em outras ocasiões, o encontrava sobre mesas, penteadeiras, suportes de cabeceira, em vários locais da casa, como se fosse muitos, mas era um. A capa já antiga: um céu interconectado por folhagens: “Allan Kardec” escrito na parte superior; “O livro dos Espíritos” centralizado verticalmente. Aqui começa uma história, uma em milhões nesses 164 anos: a minha. Criado no catolicismo, ainda menino,…

  • Notas da história

    A história de uma imagem da exposição de Penna Prearo.

    Estou em uma exposição do fotógrafo Penna Prearo. Sim, exposto em uma imagem. Na parede, imortalizado na minha juventude. A exposição traz uma ‘retrô-perspectiva’ de quase 50 anos de trabalho do profissional, sempre inquieto e inventivo. Minha relação com Penna veio de uma época em que eu trabalhava no departamento de comunicação de uma grande empresa, em São Paulo. Uma época rica em amizades com diversos profissionais: jornalistas, fotógrafos, diagramadores, revisores. Profissionais de mercado, de grandes jornais e revistas, que faziam também publicações institucionais de empresas com a mesma qualidade. E nós nos cruzamos. Do relacionamento profissional veio a convivência fraterna, visitas trocadas nas nossas casas; Cris, eu e Manuela…

  • Contos 2020

    Mãos decepadas

    [CONTO] Sua afinidade pelos outros não é assim tão aceitável, mas procura ser uma pessoa gentil. Um esforço, com certeza. Por Manoel Fernandes Neto Talvez seja mesmo falta de empatia o seu desinteresse por todos ao redor, mesmo em um lugar que fala tanto em amor; mas ele não se importa com os problemas alheios. De ninguém. “Cada um com seus,” pensa, impiedoso. Nem mesmo para a sua família ele oferece alguma trégua; pudera, deixou de conviver há muito tempo com todos. Sem pai nem mãe, desde muito jovem e, mesmo com aquela irmã mais velha da qual era bem próximo, hoje só a encontra em dias santos ou nem tanto.…

  • Contos 2020

    “Demônio!”

    [ CONTO ] Ela não sente vergonha de frequentar o centro espírita juntamente com os cultos da igreja. Por Manoel Fernandes Neto A palavra da amiga do culto, ou mesmo das amigas, veio bem forte na sua cabeça ao passar pela porta da casa espírita. Elas sempre voltavam ao mesmo assunto: o espiritismo era coisa do diabo; conversar com os mortos nunca traz coisas boas; só o espírito santo é de confiança. Mas ela já não era mais criança. Na igreja desde bebê, com todos seus ritos e batismos, já perto do 26 anos de idade, formada em psicologia, se perguntava que demônio tão silencioso era esse que todas as…

  • Contos 2020

    Para descobrir que suas cãs estavam cada vez mais longas

    Foto: Mari Lezhava (Unsplash). Um conto para tempos de isolamento. Por Manoel Fernandes Neto Mais uma vez o cartaz estava fixado. Ou nunca havia saído dali, já amarelado, colado na porta, já gasto pelo tempo: dizia que o retorno dos trabalhos da casa seria informado “pelas redes”. Mas seu celular mal dava para atender ligações, como receberia os tais comunicados? Perto dos 76 anos, aposentado, solteiro convicto. Um perfil padrão do senhor cidadão, dentro do tom: pagador de impostos, eleitor. Hoje, irrigava a vida com a alegria e a esperança, uma vez por semana, nas palestras, na visita à livraria do centro, nos abraços fraternos, nas conversas de outro mundo.…

  • Cartas à Manu

    Cartas à Manu: lembre sempre do The Mountain Messenger

    Querida Manu, Nunca podemos deixar de fazer o que amamos. Digo isso porque no decorrer de nossas vidas vamos inventando concessões por uma série de motivos. Muitas dessas para seguir um dos tantos padrões da sociedade. Mas também pela nossa própria covardia de traçar um caminho diferente. Nos habituamos a achar que tudo é chegada, não percurso, e estacionamos naquele lugar que não queremos perder. Moramos nele por um tempo e mesmo depois de termos a certeza de que não nos serve mais, continuamos no mesmo lugar para não perder o que achamos que conquistamos. Perder e ganhar. São dois conceitos vazios quando temos a perspectiva unicamente material. Tenho acompanhado…

  • Cartas à Manu

    Faltou você em Açores

    Querida Manu. Permita nessa missiva contar minhas mais recentes aventuras junto com sua mãe e Rafinha. Logicamente, com você mais presente do que nunca. Estive em um lugar em que respiramos cultura, alegria, nostalgia e memórias. Esses sentimentos têm o dom de nos manter vivos. Percebo isso desde o seu embarque há mais de um ano, naquele seu aceno das escadarias do avião que a levou para Irlanda; até hoje assisto a cena em sonhos ou mesmo quando acordo surpreso ao meio da noite. Tão pouco, mas saudoso, tempo de distância. Não nos cansamos de pensar em ti, falar de ti, contar suas histórias, novas e atuais, como os antigos…